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	<title>Blog de Giorlando</title>
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		<title>Blog de Giorlando</title>
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		<title>A mulher sob o relógio</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 20:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Seria preciso um segundo relógio, maior, mais preciso, para poder contar o número de vezes que ela olha para o relógio. Porque não são poucas as vezes. Na mesa, na hora do almoço, enquanto mastiga, olha para o relógio quase o mesmo número de vezes que pisca os olhos (lindos olhos, cujo brilho intenso meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=371&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seria preciso um segundo relógio, maior, mais preciso, para poder contar o número de vezes que ela olha para o relógio. Porque não são poucas as vezes. Na mesa, na hora do almoço, enquanto mastiga, olha para o relógio quase o mesmo número de vezes que pisca os olhos (lindos olhos, cujo brilho intenso meio que atravessam a pele fina que lhes reveste, chamada por alguns de pálpebras e que para mim são as cortinas que cobrem e descobrem a luz que me guia&#8230;).</p>
<p>Agora, outra vez, a vejo olhar repetidamente o relógio, enquanto, em frente ao espelho que lhe reflete a beleza madura e tranquila, bochecha um líquido, provavelmente menta para refrescar o hálito (talvez isso aumente o frescor e lhe dê segurança ao falar com o mundo, mas, aquele que a ama sabe o quanto seu hálito é suave e morno, quando, sua alma em flor, sorri ou canta&#8230;).</p>
<p>Tem a hora que o relógio perde para o violão como instrumento de sua ansiedade. Mesmo assim, os acordes não poucas vezes são interrompidos e, pacientemente, esperam ela olhar os números grandes de seu relógio esportivo. Curtos momentos em que a música soa algo triste. Porque se aquele que a ama não se enciúma do relógio, o violão este é de um ciúme gigantesco (compreensível, o modo como ela o abraça e toca suas sensíveis cordas justifica esse apego&#8230;).</p>
<div id="attachment_385" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/relogio5.jpg"><img class="size-full wp-image-385" title="relogio" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/relogio5.jpg?w=594" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Tempo, tempo, tempo, tempo</p></div>
<p>Nem sempre é o mesmo relógio, assim como são diferentes as horas e ainda mais imprevisível é ela &#8211; embora eu saiba que ela sempre vai querer saber se está na hora ou se eu me atrasei.</p>
<p>E se o sono dela atrasa (improvável, improvável), mais atrasa pela ansiedade que o quer apressar, marcada pelas seguidas espiadelas ao instrumento que lhe circunda o pulso. Ponteiros, números, suaves tique-taques, luzes coloridas, algarismos romanos, números pequenos, segundos velozes, tempo curto. De manhã ainda tem alguns minutos para se espreguiçar na cama, deitar sua cabeça em meu ombro, misturar as pernas e&#8230; pronto! O inesquecível relógio avisa, chama, alarma, alerta, interrompe e reafirma seu poder sobre ela, sobre todos, na condição de representante do tempo, senhor de tudo&#8230; E eis que tudo já está atrasado, os minutos preciosos se esvaem, a hora de ir se aproxima, chega, passa e ela já foi.</p>
<p>O consolo é que o mesmo tempo que a faz ir, vai fazer ela voltar. Olhará para o pulso, ou para a parede, ou estará atenta ao soar do relógio da torre da igreja e saberá que precisa correr, pois é curto o horário do almoço&#8230;</p>
<p>De dia e de noite eu a vejo preocupada com as horas, com o tempo curto, com a agenda, com os compromissos e com o medo de perder a hora. Sim, isso mexe comigo, embora nem sempre. Mas não reclamo, quase nunca. Sei que se a mulher amada está sob o relógio, terei a minha hora de estar sob ela, fitando seus olhos brilhantes e, agora eu, marcando meu tempo, pelas batidas de seu coração&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/371/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=371&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um desabafo desorganizado. Salvador.</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 00:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2010, quando eu voltei de uma viagem que tive a sorte de fazer a Londres, reparei em Salvador, fiquei triste, decepcionado e envergonhado. Naquilo que poderia ser comparado com a cidade inglesa, nós estávamos há séculos atrasados. Me envergonhei porque vi que muitas das mazelas desta nossa capital são causadas pelas pessoas que a habitam, pela cultura do “eu não tenho nada com isso e quem quiser que limpe ou conserte”. E muito por causa disso, Salvador tem sido considerada uma cidade enfeiada, nos últimos tempos. Há um abandono visível e impactante.</p>
<p>Mas não é culpa só dos governantes. Há uma frase antiga que diz: cada povo tem o governo que merece. A apatia da população estimula a leniência e a corrupção dos politicos, dos administradores públicos. E eu tenho vergonha.</p>
<p>Tenho vergonha do lixo, dos buracos, das milhares de pessoas dormindo sob viadutos e marquises ou encostadas a muros sujos e fedorentos. Do cheiro de mijo nas ruas e nos becos &#8211; e de saber que a cidade é cheia de sanitários públicos bonitinhos que só servem para expor cartazes de propaganda de empresas amigas do prefeito (vejam: <a href="http://migre.me/6h3kw" target="_blank">http://migre.me/6h3kw</a>). Tenho vergonha de saber que o dinheiro da população vai para o ralo, enquanto políticos enriquecem.</p>
<p>Tenho vergonha de saber que uma pessoa chega aqui e, como a população, não tem um transporte público decente, e que as coisas nesta terra não são fáceis para quem precisa, na Saúde, por exemplo. Tenho vergonha do comportamento de milhares, talvez milhões, de pessoas que moram aqui e jogam lixo em qualquer lugar; que depredam equipamentos coletivos; que destroem o patrimônio público (cultural  e histórico ou não); de gente que não consegue entender que eu não sou obrigado a ouvir no ônibus ou no boteco da rua a mesma música que ela quer ouvir (como eu não posso ter a empáfia, a arrogância, de achar que posso impor a ela música erudita, jazz, MPB, etc. porque &#8220;é culta&#8221; &#8211; cultura não é isso e gosto tem que ser respeitado).</p>
<p>Tenho vergonha de ver uma obra de metrô se arrastando por mais de uma década e ninguém fazer nada para punir quem comeu o cimento que a terminaria. Me envergonho de ter um Pelourinho fudido, cheio de sujeira, riscos e estragos, em um estado de um governante muito amigo da presidente da República, a mesma que lançou um tal de PAC Cidades Históricas que aqui não virou nada ainda.</p>
<p>Tenho vergonha da educação que se oferece nas escolas desta cidade, notadamente na periferia, no subúrbio, sempre desrespeitado e só valorizado quando se trata de buscar os votos para eleger os demagogos. Me envergonho de ver os nossos meninos e meninas achando que a coisa mais linda é encher a cara, ou fumar crack, como me deprime saber que são explorados sexualmente (quase sempre na marra ou enganados torpemente) por estrangeiros que chegam aqui enrolando a língua e enrolando a muita gente que sequer presta atenção em quem/o que são esses turistas especiais.</p>
<p>Me envergonho do preconceito e do racismo que ajudam a empurrar cada vez mais gente para os becos escuros da marginalidade, da prostituição, do crime. E tenho vergonha da violência, dos roubos, dos assaltos. Minha filha já foi assaltada, aos 14 anos. Sei que isso é terrível, mas sei também que já foi pior e que há outros lugares onde é ainda pior. Porém, sei que isso não é Salvador.</p>
<p>Salvador é mais. Todo mundo pode ser assaltado em qualquer lugar: Londres, Paris, Nova Iorque, São Paulo, Feira de Santana, Caxias do Sul, Barbacena&#8230; É um risco dos tempos, do crescimento da população urbana, da falta de investimentos sociais, da falta de um sistema eficiente de segurança. Mas, Salvador não é isso. Isso não é cartão postal de Salvador, como não o são, apenas, o Farol da Barra, as praias, as dunas, o Centro Histórico, o elevador, etc.</p>
<p>A nossa maior referência é o povo, trabalhador, corajoso, bonito. De onde, infelizmente, como no mundo todo, na humanidade toda, saem os que roubam e assaltam. Ainda uma ínfima parte de uma diminuta minoria, que por ser tão reduzida é até difícil de achar, de identificar. O resto é sorte.</p>
<p>A violência urbana, os roubos e assaltos, acontecem na vida de uma pessoa, individualmente, por amostragem. Mas se fala tanto nisso e isso tanto acontece, que Salvador está começando a parecer muito mais com isso do que com outra coisa qualquer. E ainda há os buracos, a sujeira e o abandono. É uma merda. Tem que melhorar a segurança pública, a organização da cidade, o trânsito e o transporte coletivo. Isso é certo e premente, mas Salvador não é isso. Não só isso. Vamos continuar lutando para que não seja isso.</p>
<p>Fora João! Acode Wagner! Acorda povo!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/365/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=365&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A escolha de Bela</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 19:24:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tinha 11 anos. Ela, talvez, um ou dois a mais. Chamava-se Bela, não como parte de um nome maior ou um apelido para combinar com a sua formosura, era nome próprio mesmo. Bela morava numa casa enorme, vizinha à Maçonaria, na rua Alice Barros Figueiredo. Lembro que eu fazia de tudo para vê-la ou falar com ela. Os fundos da grande casa davam para um dos caminhos que nos levavam ao Rio do Ouro. Quando a minha mãe ia lavar roupas a família em peso passava por lá. Eu ia outras vezes, sozinho, e chamava o nome dela, “Bela, Bela”, cuidadoso, baixinho, quase sussurrando, com medo de que outra pessoa além dela ouvisse e isso lhe criasse um problema. Demorava, mas ela aparecia. Para mim, sempre mais bonita que o próprio nome.</p>
<p>A gente se falava por uma greta no portão de madeira. Às vezes ela reclamava porque estava trabalhando e eu a atrapalhava, mas na maioria das vezes ela sorria, com seus grandes dentes brancos, e dizia que gostava de mim. Não sei porque e nem qual, mas tenho a memória de um cheiro bom, que eu sempre sentia quando ela chegava perto. Talvez fosse das folhas dos arbustos que ladeavam o caminho para o Rio do Ouro ou do pé de romã que tinha no quintal da casa em que Bela morava.</p>
<p>Como muitos de nós que habitavam aquelas redondezas, ela era pobre, talvez um pouco mais que a maioria. Aquela casa onde vivia não era a casa dela, ela trabalhava lá. Fazia serviços domésticos para uma família de “ricos”. Não consigo agora lembrar o nome do patrão dela. Recordo apenas que era um homem elegante, alto, que chegava carregando uma pasta. Era advogado, se não confundo. Não parecia ser mau, mesmo assim eu e Bela tínhamos verdadeiro pavor de que ele, ou outra pessoa da casa, nos flagrasse sussurrando no portão dos fundos ou trocando sorrisos e beijos, jogados de longe, quando ela aparecia na janela ou na varanda.</p>
<p>Normalmente, isso acontecia quando eu estava sentado no passeio, do outro lado da rua, com outros garotos. A casa em que Bela morava ficava bem em frente à casa de Zé Popô e era por ali que eu me postava para flertar com a minha primeira paixão. Ou então era quando a gente estava jogando bola na rua, eu, Gabriel, João, Zelão, Di, Hélio, Paulinho&#8230; e ela passava. Indo comprar pão ou cumprir outro mandado qualquer da família.</p>
<p>Os meninos a perturbavam. Ela passava tímida e eles cantavam: “Dez tostões de soda, dez tostões de anil, meia coronha está no Brasil”. Referiam-se a uma calça, talvez a única que Bela tinha, cujas pernas não lhe chegavam ao tornozelo, por isso chamada, não sei por que, de meia coronha. Eu ficava muito aborrecido, mas engolia minha indignação calado. Para que não soubessem da minha paixão, também por um certo espírito de corpo entre os “machinhos” ou simplesmente por medo de algum deles me chamar para brigar. Nunca dizíamos desafiar ou outra coisa que não “chamar para brigar”.</p>
<p>Não sei quanto tempo eu e Bela, “namoramos”, sem um beijo de verdade sequer, apenas com olhares, sussurros, beijos jogados de longe, naquele gesto de levar a mão aos lábios, colher o beijo e depois simular seu lançamento na direção da outra pessoa, repetido por crianças e adultos bem velhos até hoje. O suficiente para me causar falta de ar, quando eu a via mais de perto, ou me deixar de pernas bambas, quando ela atendia aos meus chamados no portão do quintal. Eu não sabia que estava apaixonado, apaixonado mesmo, e nunca havia dito isso a ninguém, talvez não soubesse usar essa palavra, mas estava.</p>
<p>Mesmo que os meninos da rua não fossem cavalheiros com ela todo o tempo e fizessem gozação com o comprimento das suas calças, Bela atraía outros olhares que não apenas os meus, por causa de sua beleza e charme. Mesmo tendo 12 ou 13 anos na época, quando penso nela, agora, a vejo adulta, com pernas bonitas, à mostra dos joelhos para baixo, quando ela estava com um de seus vestidos estampados, ou do tornozelo para baixo, quando ela vestia a calça objeto da pilhéria dos moleques da rua. E lembro que ela tinha seios grandes, que nunca vi nus, mas não conseguia evitar de reparar no volume que faziam sob o vestido ou uma de suas blusas de malha.</p>
<p>Os dentes que já mencionei eram brancos e pareciam grandes; não era dentuça, os dentes é que pareciam grandes. A boca era linda. Lábios cheios e avermelhados. Sim, agora eu me lembro: eu a beijei. De leve, mas demorado, quando ela abriu o portão dos fundos da casa uma vez. Macios os lábios, que ficaram fechados naqueles instantes em que tocaram os meus. Eu não fechei os olhos e ao olhar o seu rosto tão de perto, vi que ela tinha sardas, pequenas manchinhas abaixo dos olhos. Por que eu esqueci por tanto tempo daquele beijo? Talvez porque a minha memória, acostumada com as experiências deste meio século de vida, tenha ficado exigente e não tenha considerado que um toque de lábios, com a boca fechada, sem línguas se enroscando em frêmito, também é um beijo. E, no caso do nosso, um beijo de amor.</p>
<p>Um amor que ficou inseguro, pois outros meninos paqueravam Bela. Era ela tão bonita, em seus vestidos de chita floridos ou desfilando com a sua calça curta, que mais de um queria ser seu namorado. E se ela topasse ficar com um deles? Como, apesar do romantismo de nossos quase-encontros, a gente não namorava firme, não se beijava, não tinha contatos que não os do quintal, separados pelo portão, ou da varanda, separados pela largura de uma rua, eu não sabia se ela ainda ia me querer depois de tanto assédio de outros meninos, alguns mais bonitos que eu, eu achava.</p>
<p>E como medo da resposta, eu passei a evitá-la, fugia de Bela. Pensava que quando eu a visse, ela iria, fatalmente, me comunicar que já estava namorando outro menino, porque eu não era bonito ou forte ou rico o suficiente para ela. Rico? Sim, os garotos pobres, como eu, achavam que uma menina bonita, mesmo que fosse pobre também, sempre iria preferir um garoto rico a eles, afinal, tratava-se de assegurar um futuro melhor, ainda que todos fossem muito novos. Naquele tempo ainda era o casamento a mais firme aposta das mulheres para ter algum conforto – e respeito.</p>
<p>Entre os garotos que moravam perto da minha casa eu sabia de dois que paqueravam Bela e já tinham dito isso a ela. Um era Fernando, chamado de Teirão, meu vizinho, filho do dono de uma loja de calçados que vendia sapatos e sandálias trazidos de São Paulo ou feitos numa fábrica própria, e Iolito, o Lito, filho do dono de uma relojoaria. Eu era filho, com muita honra, de um pedreiro. De vez em quando eu flagrava os meus dois amigos discutindo, porque um dizia que Bela já havia se decidido por ele, o outro contestava e fazia propaganda de um “namoro certo”. Namoro certo daquele tempo equivale hoje a estar em “um relacionamento firme” do Facebook. Não era mais somente a paquera, de então, nem o &#8220;só ficar”, de hoje. E eu os ouvia e ficava me remoendo por dentro, apaixonado, com saudade, mas sem coragem de perguntar a ela, sem coragem, sequer, de aparecer. Todos os complexos de inferioridade, crise de autoestima e carência afetiva que vocês vêm em mim hoje eu já tinha. Deve ter sido quando desenvolvi a minha atual insegurança emocional, daí porque passei a evitar Bela.</p>
<p>Até que um dia os dois amigos decidiram que pediriam que a própria Bela dissesse com quem estava &#8220;namorando&#8221; ou com quem queria ficar. E me incluíram entre os candidatos, pois, tomado de súbita coragem quando soube do desafio, eu afirmei que ela gostava era de mim. Chegaria, finalmente, o dia em que Bela me diria se a paixão que eu imaginava que ela sentia era tão verdadeira quanto a que eu sentia por ela, embora não soubesse que o nome daquilo era paixão.</p>
<div id="attachment_354" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/igreja-da-conceic3a7c3a3o.jpg"><img class="size-medium wp-image-354 " title="Igreja da Conceição" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/igreja-da-conceic3a7c3a3o.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Igreja da Conceição, Jacobina. Em seu degraus vivi um momento inesquescivel</p></div>
<p>Numa tarde, quando não tínhamos aula, sentamos os três na escadaria da Igreja da Conceição e ficamos a esperar Bela passar. Sabíamos que ela tinha ido à venda de Seo Noel e passaria ali na volta. Combinamos que caberia a Fernando fazer a pergunta. Ele era o mais desenvolto dos três. Contava vantagem e vivia listando nomes de meninas com quem já havia namorado. E se achava muito bonito. Lito era mais contido. Era forte e gostava de sorrir, mas não contava vantagem, achava que Bela ficaria com ele porque era um menino sério. Já eu estava com a cabeça raspada, máquina zero, por causa de piolhos. Tive que cortar o cabelo naquele dia, logo naquele dia!, em que os meninos marcaram o desafio. Meu pai que passou a máquina na minha cabeça, de manhã cedo, depois lavou com água e areia, “para matar as lêndeas que ficaram”. Claro que eu ia perder, Bela escolheria um dos outros dois. Eles tinham muitas vantagens sobre mim e agora eu era o mais feio deles. Careca!</p>
<p>Bela vem devagar, traz em uma das mãos uma sacola com frutas. Para diante de nós e já vai falando: “Vocês estão me esperando para saber com quem eu quero namorar, não é?” Fernando diz que sim, que nós três queremos uma resposta. Mas a pergunta que ele faz é diferente da que esperávamos: “Qual de nós você acha mais bonito?”. Sacrista! Ele perguntou assim já pensando em me tirar do páreo. “Ora, ela vai dizer que o mais feio sou eu”, pensei, com raiva e exagerada humildade. Lito riu, um sorrisão de quem confiava nos dentes que tinha. Eu devo ter resmungado um “oxe”.</p>
<p>Bela tinha que continuar seu caminho, levar a encomenda dos patrões, portanto tudo não deve ter demorado mais que alguns poucos minutos, mas ainda hoje penso que foram horas intermináveis de indecisão dela. Ainda agora minhas mãos suam e meus joelhos relembram o medo que eu senti na hora. Mas, covarde ou não, careca ou não, aquela era a minha chance de saber se o interesse que Bela demonstrara por tanto tempo era verdadeiro.</p>
<p>(Até eu estaria rindo se fosse outro que estivesse aqui a falar de paixões aos 11 anos de idade. Pode até não ter sido, mas a sensação de falta de ar, a fraqueza nas pernas, as mãos suando, a enorme vontade de estar o tempo todo com ela, eu vim saber, mais tarde, que os adultos chamam de paixão. E era o que eu sentia).</p>
<p>E, finalmente, ela respondeu, olhando para mim, com a minha cabeça raspada: “Ele é o mais bonito”. “Vixe”, acho que exclamou Lito. “Tá doida”, deve ter saído da boca de Teirão. “Ufa”, disse meu coração, começando a bater mais devagar após aquela eternidade de dúvida e expectativa. “Pronto”, disse ela, “vou embora. Meu namorado é Giorlando”.</p>
<p>E eu fui com ela pela rua. Peguei a sua mão. Lembro que, da janela do sobrado onde morava, Gabriel assoviou a musiquinha infame das calças curtas. Mas agora ela estava de vestido. E com o namorado. Brusco, virei e dei dedo &#8211; aquele gesto que consiste em separar, ereto, o dedo médio dos demais e mostrar à outra pessoa. Coragem para Bela ver. Por dentro, o medo de tomar uma surra de Gabriel depois começou a se misturar com a incompreensível felicidade que senti desde aquele “Ele é o mais bonito”, dito na frente da igreja.</p>
<p>Esta lembrança se mantém em mim quase inteira. Foi um dia memorável. Como disse, chego a sentir as mesmas sensações agora. Pena que não sei onde está Bela. O que faz, com quem&#8230; Lembro-me que a vi anos mais tarde, nós dois no início da fase adulta. Não tão bela quanto a adolescente por quem me apaixonei e com quem vivi aquelas sensações tão doces e tão intensas que muitos anos se passaram até que fossem superadas. A paixão havia passado. Minha vida mudara para melhor; a dela, pareceu-me, muito pouco. Recordo que a olhei com ternura, e vi que seus olhos ainda eram bonitos, mas brilhavam menos, havia alguma amargura em seu olhar. E ela procurou me evitar, desconversou. E se foi para nunca mais.</p>
<p>Confesso que gostaria muito de ver Bela de novo. Ou uma outra Bela, desde que ela more em uma casa cujo quintal dê para um caminho que leve ao Rio do Ouro. Quero aquele cheiro de volta. Gostaria de uma paixão de infância. Ou só de uma infância.</p>
<p><strong>&#8212; A foto da igreja da Conceição eu obtive de <a href="http://www.flickr.com/photos/roberiocordeiro/" target="_blank">http://www.flickr.com/photos/roberiocordeiro/</a> Espero que Robério não fique aborrecido. E espero que vocês visitem o site e gostem, como eu, das fotos dele. </strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/352/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=352&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A mídia conquistense e a política. Propondo um debate.</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 02:51:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O ex-radialista Jânio Freitas, experiente analista da política conquistense, publicou artigo no Blog do Paulo Nunes em que analisa as possibilidades da disputa para prefeito em Vitória da Conquista. Pelo menos assim ele começa o texto. Mas, logo percebe-se que Jânio apenas escreve mais um libelo em favor do prefeito Guilherme e da pretensão (legítima) do PT de reelegê-lo. Essa, aliás, tem sido a postura contumaz da mídia na maior cidade do sudoeste da Bahia, à exceção das emissoras de rádio Clube FM e Cidade AM, comandadas pelo radialista Herzém Gusmão, por razões óbvias, ele mesmo sendo, até agora, o maior adversário de Guilherme e do PT. Parece não haver o compromisso dos demais &#8211; pelo entendimento de que não há necessidade &#8211; de avaliar o governo municipal e seus normais e prováveis erros e defeitos, tampouco as opções políticas a ele por sua viabilidade e importância. O que conta é apenas é afiançar, com a credibilidade de jornalistas e meios de comunicação, que a administração de Guilherme é imbatível e inquestionável, valendo, para isso, silenciar sobre alternativas e elogiar incansavelmente &#8211;  e sob qualquer título &#8211; o governo e seu titular.</p>
<p>Vale, entretanto, lembrar que Herzém fez até o final de 2007 o mesmo que fazem hoje seus colegas conquistenses, notadamente os da chamada blogosfera.</p>
<p>Para quem ainda não visitou o blog do jornalista Paulo Nunes, publico aqui,  para facilitar, o que escrevi lá, em contraponto ao que Jânio disse.</p>
<h4><strong>Imprensa conquistense: por que essa paixão toda?</strong></h4>
<p>Só tem uma coisa que eu não concordo no que Jânio (sempre) e quase toda a imprensa e blogosfera conquistense escrevem: não se analisa o governo, o cansaço, a fadiga do projeto, apenas se o elogia, defende, enaltece. Não vejo um jornalista de Conquista escrever um artigo avaliando eventuais pontos críticos da administração petista. É sempre céu de brigadeiro. Vitória da Conquista é o melhor dos mundos. Compreendo o temor. Há uma patrulha surda, que impõe esse silêncio, esse amor incondicional. Para não falar de outros motivos, menos nobres.</p>
<p>Eu votei em Guilherme todas as vezes que ele disputou a prefeitura, incluindo 1992. Votei em José Raimundo. Votei em candidatos a vereador e deputado do PT. Votei em Wagner três vezes. Sou dos que acreditam que o PT fez um excelente trabalho, mudou o foco e a visão da administração. Estabeleceu prioridades sociais, encaminhou soluções sérias e fundamentais para questões graves da cidade como habitação, e estabeleceu novos parâmetros de ação na Educação e na Saúde, contando com a inquestionável parceria do governo petista no Planalto, com mais recursos financeiros e enorme boa vontade do presidente Lula, ele mesmo um admirador de Guilherme.</p>
<p>No entanto, já são 15 anos. O projeto precisa ser revitalizado, ganhar novo oxigênio. Há aspectos do governo e setores do município que estão em ritmo mais lento do que o inicial, alguns perto de estagnar. Tanto é que Guilherme, um político que rezava fielmente na cartilha de que a principal obra era cuidar das pessoas, no sentido de que todo esforço e recurso financeiro disponível deveria ser gasto, o mais possível, na área social, agora está asfaltando milhares e milhares de quilômetros quadrados de ruas, especialmente as simbólicas. O político cujo símbolo era Cachoeira das Araras resolveu estancar os questionamentos e a nítida movimentação do eleitor em outra direção, com obras que antes ele chamava de eleitoreiras. Não é mais como Jadiel Matos, que dizia que o povo não come paralelepípedo ou cimento.</p>
<div id="attachment_346" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/eu-entrevistando-guilherme-primeiro-mandato1.jpg"><img class="size-medium wp-image-346" title="Eu entrevistando Guilherme primeiro mandato" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/eu-entrevistando-guilherme-primeiro-mandato1.jpg?w=300&#038;h=193" alt="" width="300" height="193" /></a><p class="wp-caption-text">Conheço a honestidade de Guilherme e não a questiono, mas imprensa local não ousa criticá-lo</p></div>
<p>Quem questiona a honestidade e a retidão moral de Guilherme? Só um leviano. Eu conheço Guilherme há 27 anos e sempre soube da sua honradez, de seu espírito público elevado, de sua valorização da educação e da cultura. Mas, mesmo ele tem seu momento de &#8220;apenas político a defender seu interesse, sua ambição, sua vaidade&#8221;. E eu o critico por isso. Eu queria votar em José Raimundo de novo ou em outro qualquer. Não porque Guilherme não vá continuar a ser um bom prefeito, mas porque é meu direito mudar, ainda que no mesmo campo, sem romper. O projeto continua bom, mas definha, naturalmente, como tudo que envelhece, enfraquece, porque o povo cansa e a cidade merece mais.</p>
<div class="mceTemp">Eu estou morando em Salvador ainda, retorno para Vitória da Conquista dentro de alguns dias, mas daqui e indo várias vezes à cidade, ouço coisas e vejo coisas. Decerto que houve uma evolução em Vitória da Conquista com Guilherme (até mais do que com o PT, eu diria), principalmente depois do desastre do governo que o antecedeu até 1996, mas acho que há mais a ser feito, é preciso dar oportunidade a uma visão diferente, a uma ideia renovada, que requalifique o projeto começado em 1997. E isso a imprensa conquistense, em sua maioria &#8211; perdoem-me os colegas amigos e respeitem minha opinião os não tão amigos &#8211; não vem dizendo. Vem, na verdade, calando, escondendo, tergiversando, elogiando.  E só.</div>
<p>No caso de Jânio Freitas, homem do mais alto valor, meu amigo de priscas eras, eu compreendo. É partidário, orgânico e deixa a paixão, natural e elogiável até, comandar os dedos ao teclar os textos, mas há algum excesso de boa vontade nos demais, o que não é explicável apenas com o argumento de que são todos contra Herzém Gusmão. Isso seria maniqueísmo demais, especialmente porque há alternativas, embora quase todas dependentes do governo e da anuência do comandante da base, o governador Jaques Wagner, para quem o melhor é não arriscar.</p>
<p>&#8212;&#8212;- Quem quiser ler o artigo de Jânio e outras postagens de Paulo Nunes, <a href="http://http://www.blogdopaulonunes.com/v3/" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/342/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=342&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>PCdoB de Conquista deve ficar onde está e apoiar Guilherme. Tudo indica</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 16:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nota publicada no site Bahia Todo Dia dá um sinal muito claro de que o PCdoB não estará na disputa pela prefeitura de Vitória da Conquista, pelo menos na cabeça de chapa. Numa ginástica, o assessor do deputado estadual Fabrício Falcão, Élvio Magalhães, nega afirmando, confirma negando. A nota do Bahia Toda Dia começa dizendo que assessoria do deputado nega que ele tenha retirado a candidatura, apesar das notícias recorrentes nos blogs de Vitória da Conquista de que o PCdoB caminha para selar uma aliança com o PT, do prefeito Guilherme Menezes.</p>
<p>Como não pode negar tudo, Élvio diz que as negociações entre PT e PCdoB estão acontecendo, &#8220;assim como estamos conversando com outros partidos da base do governador Jaques Wagner&#8221;. O assessor esqueceu de explicar que tipo de conversa. Afinal, não há chance de o PT retirar qualquer de suas candidaturas colocadas no estado, especialmente a de Guilherme, que em um quadro de apenas duas candidaturas fortes deve levar a eleição no primeiro (e inédito) primeiro turno.  A conversa pode até estar se dando, mas para saber quais as vantagens que o PCdoB terá quando anunciar a desistência de Fabrício – eu espero que isso seja apenas uma hipótese, pois Vitória da Conquista precisa de uma candidatura alternativa à polarização Guilherme-Herzém.</p>
<p>O site da capital baiana menciona o Blog do Anderson e diz que o mesmo “sugere que as lideranças municipais do partido (PCdB) estão articulando a coligação para reeleição do atual prefeito petista, Guilherme Menezes, e que existe chance dos comunistas indicarem o vice na chapa do PT”, o que Élvio Magalhães nega, mas, de novo, sem condição de convencer. Ele diz que não há possibilidade de Fabrício ser vice de Guilherme, mas logo acentua que o partido, PCdoB, pode indicar o vice, concorrendo, embora, com PSB e PV, ambos também com pretensos candidatos a prefeito.</p>
<p>Ao dizer que o PCdoB pode indicar o vice, o assessor do deputado Fabrício dá razão aos que especulam que o anúncio da desistência à pré-candidatura está muito perto. O que ele parece garantir é que o deputado comunista não será o vice. Compreensível. Fabrício Falcão teve dois excelentes mandatos de vereador em Vitória da Conquista e é uma das mais gratas revelações da Assembléia Legislativa, demonstrando seu perfil parlamentar. Seria uma lástima, e um passo atrás, aceitar uma vice do tipo cala-a-boca.</p>
<p>O PCdoB, diga-se Fabrício Falcão, foi com muita sede ao pote. Sempre auxiliar do PT (a bem da verdade, sem medo de resmungos, o PCdoB conquistense não seria o que é no cenário político local se o partido fundado por Lula no Brasil e José Novais, Ruy Medeiros e José Raimundo em Vitória da Conquista não tivesse vencido em 1996 e chegado até aqui no poder), os comunistas parecem querer continuar dependentes do Partido dos Trabalhadores e não demonstram disposição de romper com o governo municipal, talvez com medo de perder musculatura e de contrariar o governador Jaques Wagner, arriscando-se a perder muito do que almejam tanto em 2012 quanto para 2014.</p>
<p>Na história política conquistense dos últimos 30 anos, embora tenha eleito um quadro em 1982 &#8211; vereador Ubirajara Mota, eleito pelo PMDB porque o partido ainda estava proibido de organizar-se oficialmente, por força do regime militar -, o PCdoB nunca teve força para ir além do sindicato dos bancários. Orbitando em torno dos nomes de Miguel Felício e Elias Dourado, viu surgir sua oportunidade para deslanchar como força política protagonista na figura de Fabrício Falcão, forjado em embates estudantis – diz-se que ele ficou nove anos na universidade apenas para fazer a política – e na relação com o movimento dos trabalhadores rurais, patrocinado pela Fetag.</p>
<div id="attachment_335" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/dep-fabrc3adcio-falcc3a3o.jpg"><img class="size-medium wp-image-335" title="Dep Fabrício Falcão" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2012/01/dep-fabrc3adcio-falcc3a3o.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">PCdoB não candidatura de Jean Fabrício Falcão</p></div>
<p>Fabrício conseguiu uma proeza, em se tratando de PCdoB: reelegeu-se vereador, ainda Jean Fabrício e, já Fabrício Falcão, chegou a deputado estadual. Sentiu-se pronto para ser prefeito de Vitória da Conquista. E eu não duvido que pode sê-lo e não hesitaria em emprestar-lhe apoio, entretanto, seus movimentos foram particulares, individuais, com pouca gente do PCdoB a segui-lo no intento, além dos assessores. O PCdoB não consegue se desligar do PT e nem do que o poder oferece e isso não é uma ofensa, mas uma constatação. Fabrício foi ficando cada vez mais só. E no pote não há água suficiente para matar a sede dele.</p>
<p>No mês de outubro do ano passado, os defensores da candidatura de Fabrício Falcão, dentro do PCdoB, ficaram eufóricos com uma definição que teria sido adotada pela executiva estadual do partido, com a anuência e orientação da nacional, de que a pretensão não era apenas legítima e justa, da parte do deputado, como também seria do interesse da agremiação. Disseram que era prioridade. E que, portanto, o partido em Vitória da Conquista teria que acatar e sustentar o nome do deputado para disputar o cargo majoritário na eleição de outubro deste ano.</p>
<p>Empolgados, os articuladores da pré-candidatura de Fabrício informaram que a decisão da estadual incluía recomendação para que os filiados do PCdoB com cargo no governo deixassem essas funções, incluindo o seu presidente municipal, Marcos Andrade, que ocupa cargo de secretário. Coincidentemente, enquanto o partido decidia isso em nível estadual, Guilherme Menezes, o prefeito, mudava Marcos de diretor da Agência de Desenvolvimento Trabalho e Renda para a pasta do Meio Ambiente, onde ele está até hoje. Ninguém saiu. O próprio Guilherme, quando do anúncio do “rompimento”, disse ao blog do Anderson que o PCdoB deveria entregar os cargos já que decidira ter candidato (leia aqui <a href="http://migre.me/7qMuy" target="_blank">http://migre.me/7qMuy</a>).</p>
<p>Ou seja, embora Fabrício ainda queira e seus assessores neguem sem ênfase a sua desistência, desde que ficou tudo certo que nada estava certo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/334/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=334&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um bom projeto não tem que ter o mesmo governante sempre</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 14:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ou: Porque acho que Guilherme poderia ceder e entrar para a história de outro jeito I – O governo petista fez a coisa certa desde o começo Sou ligado a Vitória da Conquista por dois cordões umbilicais. Na hoje também chamada de Suíça brasileira, outrora conhecida como a trincheira da democracia na Bahia, nasceram meu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=320&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Ou: Porque acho que Guilherme poderia ceder e entrar para a história de outro jeito</strong><strong></strong></h3>
<p><strong>I – O governo petista fez a coisa certa desde o começo</strong></p>
<p>Sou ligado a Vitória da Conquista por dois cordões umbilicais. Na hoje também chamada de Suíça brasileira, outrora conhecida como a trincheira da democracia na Bahia, nasceram meu filho em 1987 e minha filha em 1995. Na cidade mantenho outros laços afetivos, sociais, profissionais, econômicos e, justificando este artigo, políticos. Voto em Conquista desde 1986, época da memorável campanha que elegeu Waldir Pires governador da Bahia. Desde então, a cada eleição, de onde quer que eu esteja, retorno à cidade para votar. Aliás, sempre fiz questão de estar na cidade algum tempo antes do dia da eleição e faço toda a campanha que posso pelos meus candidatos.</p>
<p>Do PT de Conquista já pedi votos e votei em Wilton, Waldenor, Hélio Ribeiro, Alexandre Pereira, José Raimundo&#8230; O atual prefeito, Guilherme Menezes teve meu voto e meu apoio em todas as vezes que concorreu a prefeito. Em 1996 comprei a briga da candidatura de Guilherme e me associei ao projeto mantendo-me em uma posição estratégica, onde optei por ficar abrindo mão de um bom contrato profissional com a campanha. Nunca me arrependi, embora mais tarde tenha sido “punido” pelo empregador por causa dos “laços muito próximos com Guilherme”. Também por isso e por generosidade do prefeito, cheguei a compor o primeiro governo por 20 dias, em 1997. Não fiquei por problemas pessoais (não sou fácil, aceito que digam).</p>
<p>Fui testemunha, como milhares de conquistenses com mais de 20 anos de idade, das transformações por que passou o município com a chegada do PT ao poder, especialmente o trabalho feito na Saúde pelo competente e corajoso Jorge Solla. Vi os avanços na Educação e sei que a máquina administrativa passou a funcionar melhor e de forma mais organizada, propiciando economia e utilização mais racional dos recursos. Pode-se contestar o estilo inicial, as práticas políticas adotadas, mas seria cegueira desconhecer o excelente trabalho começado por Guilherme Menezes, feito por ele em seis anos e em mais seis de José Raimundo.</p>
<p>Tampouco atribuiria o estágio alcançado por Vitória da Conquista somente à ação do PT conquistense e/ou à genialidade de Guilherme, José Raimundo e seus auxiliares desde 1997. Houve uma distinção de tratamento por parte do Governo Federal que deve ser levada em conta e em alta conta. Gigantesca foi a diferença de tratamento recebido por Guilherme prefeito do tratamento recebido pelo seu antecessor, José Pedral Sampaio. Mesmo sob Fernando Henrique Cardoso, as regras de distribuição dos recursos federais para os municípios e as condições de financiamento mudaram muito, notadamente nas áreas Social, da Educação e da Saúde, tornando, em um primeiro momento, menos difícil administrar o município e, mais tarde, deixando tudo mais fácil.</p>
<p><strong>II &#8211; Guilherme conduziu um governo com muitos méritos</strong></p>
<p>Só um doido diria que o governo de Pedral de 1993 a 1997 foi tão ruim apenas porque não havia a mesma generosidade do Governo Federal e os recursos não foram disponíveis. Os erros do governo pedralista, o último, ressalte-se, foram muito grandes e suficientes para a hecatombe que se seguiu. Do mesmo modo eu jamais diria que Guilherme só fez aqueles excelentes seis primeiros anos porque havia as condições mencionadas. Os principais trunfos do governo petista-peessedebista de 1997 a 2000 foram: a inversão de prioridades; a seriedade na reorganização da administração; uma lista enorme de erros que serviram de referência para os acertos e, claro, a visão do prefeito e a capacidade de sua equipe, esta incontestável, acima da média a que Vitória da Conquista estava historicamente acostumada.</p>
<p>Com a saída de Guilherme para concorrer à Câmara Federal, em 2002, vazou a preocupação de como seria a continuidade do projeto que vinha sendo muito bem executado. Pelo que sei, o próprio José Raimundo (notável professor, PhD, pessoa querida da cidade, respeitada pela sua tarimba na área que domina, a Educação e pela competência como mestre em sala de aula, embora um zagueiro de mediano para baixo) achava que aquela poderia não ser a sua praia – ou o seu momento. Entrara na chapa para apaziguar o PT, depois que o grupo do também professor Wilton Cunha, que detinha significativa parcela do partido, colocou o nome do próprio para disputar a indicação de vice, frontalmente contra a vontade de Guilherme, que queria ter como companheira de chapa, a arquiteta Márcia Pinheiro, uma das profissionais mais competentes que passaram pela administração municipal, mas uma neo-petista.</p>
<p>(O PT fez questão de uma chapa puro-sangue e chegou a ter seis nomes disputando a vice em 2000, por causa da experiência ruim que teve ao sair com a chapa mista, eleita em 1996, tendo Clóvis Assis, do PSDB, na vice. Brigaram feio, Assis chegou a perder o gabinete e os petistas o viam como um Judas sem beijo).</p>
<p><strong>III – José Raimundo dividiu o projeto petista em dois tempos</strong></p>
<p>Pois bem, José Raimundo Fontes, um soldado partidário, fundador do PT e um apaixonado pelas lutas do partido, tornou-se o vice em 2000 e o prefeito em 2002, quando deu continuidade sem sobressaltos e sem invencionices, ao bom trabalho que o seu antecessor tinha feito. Foram dois anos que serviram para Vitória da Conquista conhecer um José Raimundo que talvez só ele soubesse que existia: bom administrador, político acessível e liderança integrada às expectativas da população. Essas características o levaram a vencer, de virada, o ex-deputado Coriolano Sales, que, segundo consta (até hoje duvido daqueles prognósticos) começou a campanha com mais de 30 pontos percentuais acima do candidato do PT nas pesquisas.</p>
<p>Ao eleger José Raimundo, Conquista disse três coisas bem claras: não permitiria a volta do grupo que dominara a política municipal por 20 anos; aprovava o projeto do PT que mudara a cidade oferecendo ainda um horizonte de modificações positivas; e estava disposta a ver o professor de História que virara um de suas mais interessantes lideranças fazer, no governo que seria dele, digamos, alguma coisa nova. E José Raimundo fez.</p>
<p>Sem abandonar as premissas caras ao PT de prioridade à área social e de ampliação dos bem sucedidos projetos na Educação e na Saúde, o governo de José Raimundo (agora com Gilzete Moreira, do PSB, de vice) visualizou uma cidade com sua infra-estrutura urbana melhorada e ampliada. No embalo da obra de transformação do trecho da Rio-Bahia que cortava a cidade na avenida Presidente Dutra (que quase lhe custa o mandato) o prefeito petista colocou o trator para trabalhar, deu ao município &#8211; além das ações sociais, de inclusão, de respeito à dignidade da pessoa e fortalecimento dos movimentos sociais &#8211; uma sinalização de que o anseio por obras de melhoria viária, de valorização urbana e incremento de infraestrutura iriam acontecer. E aconteceram.</p>
<p>José Raimundo teve seu status político elevado a “excelente prefeito”. Seu desempenho lhe garantiu uma eleição tranquila como deputado estadual. Antes, foi fundamental na eleição de Guilherme ao terceiro mandato. Infelizmente, a administração de Guilherme iniciada em 2008 não poderia mais ser comparada ao governo ruim de José Pedral Sampaio (é importante separar os governos de Pedral, o primeiro – 1963/1964 &#8211; foi neutro, até porque interrompido, o segundo – 1983/1989 &#8211; foi excelente e o terceiro foi uma tragédia para Conquista e para o próprio Pedral, do ponto de vista político). Nem poderia ser o terceiro mandato de Guilherme comparado com os seus dois anteriores. Ele não era mais referência para si mesmo, como administrador, a referência passou a ser José Raimundo Fontes. E o município manifestou isso.</p>
<p><strong>IV – Conquista expressou desejo pela alternância ainda que no mesmo campo partidário<br />
</strong></p>
<p>Até o mês de junho, talvez julho deste ano, era impossível esconder o mal estar causado no PT pelo fato de que Vitória da Conquista, mais a cidade que a zona rural, expressava sua vontade de ter José Raimundo de volta, o que seria bom para todo mundo. Menos para Guilherme, talvez. Num exercício de especulação: não haverá eleição parlamentar no ano que vem e Guilherme teria que esperar José Raimundo ser eleito e convidá-lo a participar do governo. Esperar ficou fora de cogitação. E o atual prefeito firmou-se como o nome para a própria sucessão, calou os dois companheiros José Raimundo e Waldenor Pereira, e outros tantos, até que o partido juntou-se para referendar a sua pré-candidatura.</p>
<p>Claro que é legítimo a Guilherme Menezes pleitear ser candidato cinco vezes e eleger-se prefeito quatro, um recorde na história de Vitória da Conquista. É mais que legítimo dentro do seu partido, o PT, mas também é aqui fora. Ele é honesto, trabalhador e foi o cara que começou a revolução que mudou o município e a vida da população para melhor. Guindado no sucesso do PT em nível federal, sim; tendo sido seu governo extremamente ajudado pelo governo Lula, sim, mas ele teve o mérito de dar régua e compasso para a jornada que começou em 1997. Ok. Mas, opino pelo direito inalienável de fazê-lo: a insistência de Guilherme assume contornos, aparência, semelhança, quase nenhuma coincidência, de um projeto pessoal. E eu acho que Conquista percebe isso. E não gosta.</p>
<p>A mudança de estilo de governar, ainda que tímida, transformando-se, de repente em obreiro, o homem do asfalto, demonstra o quanto Guilherme Menezes corre atrás do prejuízo para não ser suplantado pelo tempo e não perder o bonde que levará a sua pessoa, o seu nome, para a história, como recordista de mandatos de prefeito e – muito provável que isso aconteça, pelo acúmulo de anos à frente da prefeitura – como o administrador que mais obras e realizações entregou à população. Difícil não querer continuar, entendendo que é mais ou menos fácil vencer a eleição e ficar no poder, mesmo para um político que não gosta de aparecer, dito tímido e desprovido de vaidade.</p>
<p>Mas eu,  conquistense que tomou o gentílico por empréstimo, porém apaixonado pela terra que me deu o melhor que tenho, eleitor da seção 019, 41ª Zona, no uso do direito de expressão consagrado na Constituição Brasileira, digo que Vitória da Conquista merece uma alternativa, uma renovação. Certo, José Raimundo seria continuidade, mas ainda assim uma alternância, a despeito de no mesmo campo partidário. Havia um sinal de que a população queria ver o deputado de volta ao cargo de prefeito, imaginando, certamente, uma ampliação do trabalho que fez e que não parece ter conseguido Guilherme dar seguimento, ainda.</p>
<p><strong>V – Os números avisam: é preciso ouvir Conquista</strong></p>
<p>Aceito a contestação se me dizem que o governo de Guilherme não tem sido desprezado pela população, visto que as pesquisas de opinião pública lhe dão mais de 40% de aprovação (não me venham com essa de que “regular” é aprovação, porque quem acha um governo regular é porque não está satisfeito, as opções para dizer o contrário disso, na pesquisa, são as respostas “bom” e “ótimo”). Esses bons números acontecem porque o povo de Conquista é justo e Guilherme Menezes e o PT são avaliados pelo conjunto da obra. Não houve nada que tirasse os méritos do projeto que eles começaram em 1997. Porém, a mesma pesquisa que aprova o governo (mas não traz/separa a avaliação da atuação do dirigente em si, da pessoa Guilherme à frente da administração) diz que o prefeito, como candidato, não vence no primeiro turno, pois teria, quando o levantamento foi feito, 30% das intenções de voto, enquanto que o segundo, o radialista Herzém Gusmão, teria 25% e o terceiro, o deputado Jean Fabrício, 10%, o restante atribuído a outros nomes com pontuações menores e aos indecisos, menos de 10%.</p>
<p>O recado já foi dado. E há alternativas a Guilherme. Uma delas nasce dentro do próprio projeto político e administrativo que está em vigor desde 1996/1997. Há que se ver isso colocando à frente o interesse do município, não as idiossincrasias partidárias ou desejos particulares e pessoais. Uma enorme parcela da população espera que os nomes que se propõem chegar ao governo, para o lugar que Guilherme ocupa (mas não é dele) acertem o discurso, definam suas posturas e sintonizem seus planos de ação e estratégias políticas com os anseios dos eleitores, que, friso sem medo de errar, não condenam Guilherme Menezes, muito menos o PT, mas querem ter o direito de começar em 2013 de outro jeito. Sério, ativo, competente, mas outro jeito.</p>
<p><strong>(No próximo artigo de política ousarei analisar a postura do PCdoB diante do governo e o que representaria a candidatura do deputado Jean Fabrício para a cidade. Mas adianto que, em minha opinião, o partido, que poderia clarear as coisas, está confundindo o eleitor. É contraditório permanecer no governo que tem à frente o prefeito que o partido acha que não deve continuar. Ou deve? Se sim, para que pré-candidato? A postura tem semelhança à do PMDB em 2009 em relação ao governo Wagner &#8211; e todo mundo lembra as conseqüências para o PMDB.)</strong></p>
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		<title>Onde Wagner vai mal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 13:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Usuário de helicóptero em seus deslocamentos para o interior do estado e até mesmo do palácio de Ondina à Governadoria, no Centro de Administrativo, e de aviões em suas frequentes viagens internacionais na busca de investimentos para o estado, o governador Jaques Wagner não deve lembrar-se de como é viajar de carro nas estradas, usar o ferry boat ou tentar vencer os engarrafamentos das ruas e avenidas de Salvador (quando ele sai de carro, motos de batedores e velozes carros pretos com sirenes ligadas tornam o que para todos seria um suplício uma tranquilidade para o governador, o que é legal e moral).</p>
<p>À frente de um governo responsável pela recuperação de mais de uma dúzia de estradas importantes na Bahia, todas com um nível de qualidade muito superior às obras anteriores, Wagner, no entanto, não pode ser considerado um campeão quando o assunto é transporte de passageiros. É incrível, por exemplo, a leniência do seu governo em relação ao péssimo serviço e aos abusos da TWA na travessia que milhares de baianos (e turistas) fazem diariamente de Salvador a Itaparica. Agora, espera-se uma tomada de posição quanto à sanha capitalista da concessionária de pedágios na Bahia, que não tem demonstrado a mesma agilidade para oferecer um serviço de qualidade quanto teve para começar a cobrar a passagem em várias das estradas baianas.</p>
<p>Pelo que se vê na imprensa, a Via Bahia não teve pressa e não demorou para aparecerem os buracos, os perigos na estrada, os acordos não cumpridos com moradores de bairros e localidades próximos de seus pedágios. E a explosão se viu nas últimas horas. Consta que até tiros ocorreram em protesto de moradores na BR 324. Por conta do episódio e dos problemas apontados. governador já está sendo cobrado a se manifestar. Não precisaria, se os setores do seu governo que fiscalizam, acompanham obras e processos semelhantes estivessem mais atentos. A fiscalização, a proatividade, funcionam como profilaxia e ajudam a impedir dissabores políticos.</p>
<p>E para falar de um tema muito atual e caro ao governo da Bahia, os dias passam, os meses chegam o ano encurta e nós vamos duvidando que esta cidade de Salvador terá um sistema de transporte nem diria moderno, mas decente, para a Copa de 2014. Não duvidemos da viabilização do corredor aeroporto-Iguatemi e melhorias no acesso à Arena Fonte Nova, mas quem vier para a Copa vai sofrer, tanto ou mais do que nós penamos hoje na Tancredo Neves, no Rio Vermelho, na Joana Angélica, na Vasco da Gama, na Vitória, Garibaldi, Centenário, Sete de Setembro, Otávio Mangabeira, Paulo VI, ACM&#8230;</p>
<p>Nesta questão dos transportes na Bahia, em Salvador especialmente, há muito mais coisas a pensar (e fazer) do que uma ponte entre Salvador e Itaparica.</p>
<div id="attachment_314" class="wp-caption alignleft" style="width: 604px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2011/10/ponte-salvador-itaparica1.jpg"><img class="size-full wp-image-314" title="Ponte Salvador Itaparica" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2011/10/ponte-salvador-itaparica1.jpg?w=594&#038;h=414" alt="" width="594" height="414" /></a><p class="wp-caption-text">Projeto da ponte Salvador-Itaparica</p></div>
<div id="attachment_313" class="wp-caption alignleft" style="width: 604px"><a href="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2011/10/engarrafamento-orla.jpg"><img class="size-full wp-image-313" title="ELEIÂ«âES 2008 / ORLA ENGARRAFAMENTO / LEI SECA / AMBULANTES /" src="http://blogdegiorlandolima.files.wordpress.com/2011/10/engarrafamento-orla.jpg?w=594&#038;h=396" alt="" width="594" height="396" /></a><p class="wp-caption-text">Engarrafamento na orla de Salvador (Foto: A Tarde)</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/309/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=309&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vem aí um ensaio biográfico sobre Elomar</title>
		<link>http://blogdegiorlandolima.wordpress.com/2011/10/24/vem-ai-um-ensaio-biografico-sobre-elomar/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 23:43:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong>O artigo que escrevi, atrevidamente, sobre Elomar, estimulado por uma beleza de texto que Caetano Veloso publicou em <strong><em>A Tarde</em></strong> sobre o maestro conquistense, foi enviado, antes de finalizado, para Rossane Nascimento dar uma lida e não me permitir errar demais. Rossane foi de uma gentileza enorme &#8211; aliás, tão típica nela &#8211; e me respondeu elogiando o meu artigo, por generosidade, e ofertando-me algumas informações novas sobre o malungo cantador. Alguma coisa eu incorporei ao texto que publiquei há pouco no meu blog (só e eu ela sabemos o que eu colei lá, para ficar perecendo que tudo fui eu. Rs), outra parte eu aproveito a seguir. Com a alegria de quem recebeu um presente e a certeza de que são informações fidedignas e tão ou mais valiosas do que tudo o que eu escrevi antes. Vamos pois, à leitura. (Espero que Elomar não se zangue e se zangar não reclame e se reclamar que não seja da minha amiga Rossane Nascimento). Vai entre aspas, embora eu tenha feito pequena edição para eliminar erros de digitação – e colocar alguns de gramática, claro.</p>
<p>“Só para você saber e se quiser mencionar no seu artigo. Atualmente, Elomar só vai ao <strong><em>Rio do Gavião</em></strong>, em visitação ou para dar manutenção à fazenda, porque acredita que o lugar, que lhe rendeu e lhe motivou a criação de quase todo o seu cancioneiro, foi conspurcado, prostituído pela <em>urbi</em>.  Hoje ele passa mais tempo na <strong><em>Casa dos Carneiros</em></strong> (lugar onde também compôs e escreveu muitas de suas pérolas, hoje ainda uma de suas moradas e sede de eventos da <strong><em>Fundação Casa dos Carneiros</em></strong>), para, como arquiteto, acompanhar as obras da construção do <strong><em>Teatro Domus Operae,</em></strong> projeto dele. O seu mais novo <em>locus</em> tem sido a <strong><em>Fazenda Lagoa dos Patos</em></strong>, lá no ‘sertão profundo’, onde na <strong><em>Casa da Colina,</em></strong> escolheu ficar para compor as antífonas. Local de geografia serena, terras planas, onde se ouve o silêncio em harmonia com o canto dos passarinhos, o mugir dos bois e o ranger dos carros de bois, e onde Elomar afirma ouvir o coro das <em>Nereidas</em>, as 50 ninfas guardiãs do <em>Areópago Grego</em>. A <strong><em>Fazenda Lagos dos Patos</em></strong> é considerada pelo maestro o lugar ideal para escrever os cantos de louvor a Deus, como ‘As Florinhas do Campo’, inspirando-se na biografia do poeta Gibran Kahlil Gibran”.</p>
<p>Além da chance de trabalhar com um artista da dimensão de Elomar e tirar todas as lições que essa oportunidade proporciona, Rossane informa que, “por isso mesmo, como que para dividir esse aprendizado, as pérolas encontradas, estamos desenvolvendo um ensaio biográfico e uma análise da obra e do pensamento elomariano”.</p>
<p>Ela diz que, além do <em>YouTube</em>, mencionado por mim como exemplo de meio de divulgação que serve para ampliar o universo dos que conhecem e apreciam o trabalho de Elomar, a <strong><em>Rossane Produções</em></strong> “faz a emissão de boletins informativos, utilizando-se de uma comunicação que não agride o conceito de arte valorizado por Elomar, ou seja, uma linguagem que respeita e reforça os ideais e o gládio empunhado pelo artista, longe do cunho mercantilista”.</p>
<p>E isso é o que se pode ver.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/291/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=291&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>De Elomar e Caetano. (Um artigo, que chamo de ensaio por ser um ensaio mesmo, para ser contestado)</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 15:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei ler em A Tarde artigo de Caetano Veloso em que confessa ter se inspirado em Elomar (Figueira Mello) para compor “Beleza Pura”. Não sou conquistense, mas Vitória da Conquista é a terra que me deu os melhores anos da minha vida e os melhores presentes de toda ela, que são meu filhos, e sou dos que glorificam o magnífico trabalho de Elomar, o mais genial dos conquistenses conhecidos. Gosto do sentimento de pertencimento que Elomar faz questão de expressar, ao valorizar o sertão do Sudoeste, perto da Tromba, do Rio Gavião, da Lagoa dos Patos, e ter preferido habitar para sempre aquela região, Conquista no centro. Elomar é gênio e genuíno.</p>
<p>Eu ouvira antes, há muitos anos, que ele não era “um cara simples”, pois, argumentavam, apesar daquelas vestes de fazendeiro/vaqueiro, camisa com os últimos botões abertos, ele se deslocava em uma poderosa e provavelmente luxuosa caminhonete cabine dupla, do ano, e preferiria, em ambientes privilegiados, whisky escocês a cachaça de Itarantim. Quase me convenci, mas percebi a tempo que aquilo era um equívoco.</p>
<p>Para ser simples, não é preciso aparentar ser simplório. E nem Elomar, ou qualquer outro artista, tem a obrigação de ser simples, naquele sentido de andar a pé, abraçar todo mundo na rua, tocar de graça em “budegas” de esquina ou entre as barracas da feira – isso é coisa de políticos, idealmente os populistas e demagógicos. Sei hoje que as “percatas” de couro, a pinga e o cigarro de palha que outrora Elomar fazia uso (soube que já não fuma há mais de 20 anos. Não sei se ainda bebe), não compunham um estilo de uma celebridade excêntrica querendo chamar a atenção, nem o seu enraizamento lá para as bandas do Rio Gavião seria um charme programado para fazer tipo na sua confrontação com a mídia.</p>
<p>Alguns que dizem conhecer Elomar de perto (hoje muito mais gente que há 15 anos) afirmam que ele é assim mesmo, e eu acredito. Certo de que tudo era um aposta sincera, uma profissão de fé. Na sua natureza de gênio penso que Elomar age como um evangelista mas não um pregador de multidões. Tem a mensagem e a oferece, mas não a embala com atributos da moda, com a aparência sedutora do marketing, embora ele tenha se dobrado um tantinho que seja a essa ferramenta que o mercado impõe e que ele, ao que eu saiba, odiava lá atrás.</p>
<p>Como um apóstolo da música na sua pregação sincera, Elomar deve ter descoberto que não poderia espalhar sozinho as boas novas que nascem da arte maravilhosa que produz, apesar do poder da sua mensagem e, ainda que continue avesso à mídia como ferramenta mercantil ou como escada para construção/elevação da pseudo-arte, pois acredita que o artista não deve estar em evidência, apenas a arte verdadeira deve ser reverenciada, o Bode (chamado assim carinhosamente, como o <em>Orelana </em>de Henfil, criado em sua homenagem) acertou-se com uma competente agência de comunicação e de promoção de cultura para poder compartilhar ainda mais a arte que dá à luz.</p>
<p>Decerto que a genialidade e a riqueza de sua obra não precisariam de marketing, de mídia, nem de qualquer artimanha comercial, mas a parceria de Elomar com Rossane (e outros) merece a minha admiração e meus agradecimentos. O histórico de trabalho da produtora em associação com o cantador da Casa dos Carneiros evidencia que os dois saíram ganhando. Elomar por ter encontrado caminhos por onde levar a sua arte a mais gente (e creio, podendo ser questionado, ser este um dos sentidos de fazer arte: oferecê-la ao mundo, em favor da sua evolução, para o bem da humanidade). Rossane porque tem a chance de trabalhar com uma figura excepcional, absorvendo de sua experiência de vida, sabedoria e arte. E os demais, de longe ou de perto do Gavião, que passam a ter acesso mais rápido e mais frequente à obra cada vez mais fascinante do malungo, cantador, poeta, pregador, maestro Elomar.</p>
<p>O artigo de Caetano Veloso, ainda que publicado num jornal de circulação restrita à Bahia – e ainda assim de pouca penetração considerando o público que o lê (em Conquista não se vendem mais que 200 jornais) – ajuda a repercutir ainda mais o valor do grande compositor que é Elomar, coisa que ele, certamente, não pediu e não pediria. Afirmam que Elomar continua tão resistente à mídia quanto antes, talvez hoje repudiando-a um pouco mais por causa da sobreposição do interesse comercial, do efêmero, sobre o humano, porém é notório que, se ele não aceita, não rejeita – posto que espontâneas – as brechas que se abrem em órgãos tradicionais da imprensa ou o exuberante tamanho dos espaços que ocupa na internet, com dezenas de canais no <em>YouTube</em>, por exemplo.</p>
<p>Antes de terminar essa tentativa de escrever uma crônica “alto nível”, com o intuito de elogiar Elomar (sem que ele precise, claro) e Caetano Veloso, relembro um episódio de desgaste entre Elomar e a imprensa. E aqui não tão grande imprensa, embora grandes os personagens envolvidos. Em 1985, em Vitória da Conquista, o cantador deu uma entrevista à repórter Regina Bortollo, publicada na revista Panorama da Bahia, já extinta, na qual teria feito um elogio ao político Paulo Maluf, execrado pelas boas cabeças do País e nome concorrente com Tancredo Neves a presidente da República, no colégio eleitoral. Elomar, querido e admirado pelos mesmos que tinham ojeriza a Maluf, deve ter sido questionado, assustou-se com a repercussão, atiçada pelo radialista Herzém Gusmão, na sua Resenha Geral, e para a rádio foi, negar qualquer predileção dele por Maluf. Então, mantendo-se respeitoso à jornalista Regina, tratou de confirmar a sua alergia à mídia, justificando porque não gostava de falar à imprensa.</p>
<p>Por fim, de volta a Caetano Veloso, de quem gosto pela poesia e pela atividade cerebral intensa – manifestada e expressada em ensaios, livros, entrevistas polêmicas e, mais que tudo, na sua música – e de quem guardo um momento carinhoso de quando ele esteve em Vitória da Conquista (pela única vez) e recebeu-me com um abraço à entrada do Livramento Palace, uma boa conversa no saguão do hotel, finalizando com uma demorada, divertida e nunca publicada entrevista após o show no parque de exposições. Por ser também um gênio reconhecido internacionalmente, como Elomar – embora de postura diante da mídia muito diferente da adotada pelo maestro conquistense, que não se expõe a holofotes e não polemiza publicamente sobre quase qualquer coisa – Caetano dá, ainda que desnecessário seja, um aval de qualidade ao trabalho do menestrel baiano. Algo que, se para Elomar não precisava, serve para um tanto de gente – que ainda não ouviu as canções em sertanês do cancioneiro elomariano ou não assistiu às suas cantatas, óperas e encenações levadas ao palco da Casa dos Carneiros, no <strong><em>Domus Operae </em></strong>de Elomar – ficar sabendo que na Bahia há um artista especial, diferenciado, ainda um tanto estranho, posto que não padronizado à estética “mundernista” e midiática, produzindo arte com a sensibilidade dos soprados por Deus.</p>
<p>E se Caetano reparar direito vai ver que há mais de Elomar em sua obra do que em Beleza Pura.</p>
<p>(Não é da fase de antífonas e das composições para suas óperas, mas foi a música de Elomar que primeiro me marcou. Um hino de amor à sua terra e à história de seus ascendentes: <a title="Canto de Guerreiro Mongoió, de Elomar" href="http://migre.me/5ZaRj" target="_blank">Canto de Guerreiro Mongoió</a>)</p>
<p>Ah, a música de Elomar a que Caetano Veloso se refere, é O Violeiro, com seus versos: <strong><em>Apois pro cantadô e violero/Só hái treis coisa nesse mundo vão/Amô, furria, viola, nunca dinhêro/Viola, furria, amô, dinhêro não</em></strong>.&#8212; Vai grafado como eu ouvi o menestrel cantar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/blogdegiorlandolima.wordpress.com/285/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blogdegiorlandolima.wordpress.com&amp;blog=8370764&amp;post=285&amp;subd=blogdegiorlandolima&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Novo blog político é muito útil ao debate</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 20:47:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorlando Lima</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi quase somente o tempo de publicar o artigo sobre o Blog do Geddel e sua mania de querer piorar “pelo menos um pouquinho” algumas das coisas já ruins em nosso estado, que recebi um telefonema e depois outro, de pessoas diferentes, questionando a minha motivação para escrever contra o ex-ministro e principal líder do PMDB na Bahia. A primeira pessoa me lembrou que critiquei muito Geddel na eleição passada e que deveria ter o mesmo senso crítico em relação aos demais políticos de proa no estado. A outra pessoa tentou me lembrar que o peemedebista tem sua força e poderia me causar algum dano, sem explicar qual o dano.</p>
<p>Vamos pela última. Não conheço Geddel, mas pelo que sei dele, embora deixe parecer-se um tanto arrogante, não há registro de que tenha sido violento ou feito uso de instrumentos de perseguição ou que tais. Mesmo assim, embora eu não tenha nenhuma valentia, não temo expressar minha opinião quando se trata de autoridades e figuras da política ou quando sei que não estou assacando contra a honra e a moral de ninguém. E se Geddel é político topou as regras, entre as quais a de que quem entra nessa seara se submete a avaliações de qualquer um.</p>
<p>Respondendo também ao primeiro amigo que ligou: critiquei Geddel no post anterior e em outras oportunidades porque ele facilita, deixa brechas, fala/escreve como se não houvesse ressalvas a fazer. Acho isso ruim para alguém que pretendia (talvez ainda pretenda) ser governador do meu estado. No Twitter, por exemplo, Geddel já publicou “barbaridades”. Contestado, em alguns casos apagou e em outros simplesmente limitou-se a dizer algo como “sou assim mesmo, é o meu jeito”.</p>
<p>Eu também pago pelo pecado do destempero. Em mim não é frequente, mas é recorrente. A gente diz o que quer e fica estigmatizado. Sou criticado por isso, mas levo a minha vida sem querer ser nada mais que um cidadão correto e que ganha o suficiente para colocar pão na mesa. Geddel não, ele quer ser mais. E tem o direito, por isso coloca a cara, diz o que pensa, expõe suas ambições e questionamentos. E neste sentido eu o elogio. O Blog do Geddel é Geddel em essência (embora eu duvide muito que ele escreva os textos todos que vão em primeira pessoa).</p>
<p>O Blog do Geddel tem como virtude, certamente não a única, o seu claro objetivo de questionamento político e deverá ser o mais forte canal de comunicação a criticar a prefeitura de Salvador e o governo do estado, principalmente. Porque se Geddel comete exageros, escorregadelas no afã de mostrar o “desastre” que é a atual administração estadual, o blog, apesar disso &#8211; e por isso mesmo &#8211; servirá para chamar a atenção para as falhas de gestão, de atenção e de procedimento que eventualmente cometam o governador e sua equipe, o prefeito e sua assessoria.</p>
<p>Porque eu acho – posso ser um dos únicos a pensar assim – que a imprensa baiana está apaixonada demais por Jaques Wagner, até mais do que pelo seu governo. Ok, nem tudo é ruim; não é bem como a oposição (oposição?) reclama, mas também nem tudo são flores. Há poucas flores, aliás. Mas nem da falta de flores se fala na boa e aguerrida imprensa baiana. Assim é que, ainda que não releve os excessos, os duplos sentidos, os títulos mal intencionados, etc. que o Blog do Geddel deixa passar, eu creio que  - para o debate da política estadual, para uma visão menos adocicada do governo do estado &#8211; o ex-ministro já está dando uma excelente contribuição.</p>
<p>Que venha o contraditório.</p>
<p><strong>P.S.:</strong> Acabo de ver que Geddel revisou a matéria sobre os assassinatos na RMS. Mas, não mudou o título, que permanece <strong>É de morte: seis são assassinados por dia em Salvador e RMS</strong>. A mudança foi no interior da nota. Geddel ajustou a matemática. Ao invés de <strong>violência que permite o assassinato de uma pessoa a cada seis horas em Salvador e RMS, </strong>agora está escrito:<strong> violência que permite um média de uma pessoa assassinada a cada quatro horas em Salvador e RMS</strong> (sic).</p>
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